quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Resenha #19 - Mago Aprendiz

Título: Mago Aprendiz
Série: Saga do Mago
Autor/a: Raymond E. Feist.
Saída de Emergência
Skoob
Na fronteira do Reino das Ilhas existe uma vila tranquila chamada Crydee. É lá que vive Pug, um órfão franzino que sonha ser um guerreiro destemido ao serviço do rei. Mas a vida dá voltas e Pug acaba se tornando aprendiz do misterioso mago Kulgan. Nesse dia, o destino de dois mundos altera-se para sempre. Com sua coragem, Pug conquista um lugar na corte e no coração de uma princesa, mas subitamente a paz do reino é desfeita por misteriosos inimigos que devastam cidade após cidade. Ele, então, é arrastado para o conflito e, sem saber, inicia uma odisseia pelo desconhecido: terá de dominar os poderes inimagináveis de uma nova e estranha forma de magia… ou morrer. Mago é uma aventura sem igual, uma viagem por reinos distantes e ilhas misteriosas, onde conhecemos culturas exóticas, aprendemos a amar e descobrimos o verdadeiro valor da amizade. E, no fim, tudo será decidido na derradeira batalha entre as forças da Ordem e do Caos

Esperei muito por Mago Aprendiz. Não exatamente pela história ou pelo autor (só tinha ouvido coisas vagas sobre ambos até então), mas sim pela editora, a Saída de Emergência. Vinda lá de Portugal, a SdE pretende lançar, principalmente, livros de fantasia aqui no Brasil, o que me agradou imensamente (aliás, já estou aguardando os próximos títulos).

Mago Aprendiz, porém, me decepcionou. Vi até alguém dizer algo ruim sobre a história há algum tempo, logo quando foi lançado, mas me fiz de cega, surda e muda e embarquei na leitura com as expectativas lá em cima. 

Meu ânimo caiu por terra já nas primeiras páginas.

Não gostei da escrita do E. Feist. Na verdade, cheguei bem perto de odiá-la. Sabe aquele tipo de escrita que vai de explicando tudo ao invés de mostrar? Além de desconfortável, me senti um tico rebaixada. O cara não deixava nada para o leitor descobrir sozinho; o mistério que deveria existir acabou dizimado pelas pistas muito óbvias e pela narrativa forçada. A isso se juntou o ritmo completamente ferrado. Períodos de meses e até anos se passavam em um piscar de olhos, sem qualquer tipo de preparação e apresentados de tal forma que eu, pelo menos, me senti incapaz de sentir os personagens mudando com o passar tempo.

Quanto ao enredo, ele é bom, ou poderia ter sido se a escrita e o ritmo fossem bons. No início fiquei meio meh com o papo de seres de outro mundo (ainda mais com eles sendo chamados de alienígenas), mas depois me acostumei e consegui apreciar (?) a existência deles. Me senti um pouco decepcionada ainda assim; estava esperando algo com muito mais magia, visto o nome do livro, mas Pug só é aprendiz de mago de fato no início e, com a guerra, passa mais a apenas seguir Kulgan pra tudo quanto é canto. Só no capítulo extraído do próximo livro, Mago Mestre, é que os poderes dele entram em foco de novo.

Uma cabeça do tamanho de uma carroça repousava no chão. Viam-se enormes asas dobradas nas costas, com as pontas caídas tocando o solo. No alto da cabeça havia duas orelhas pontiagudas, separadas por uma crista de aspecto delicado, salpicada de prateado. O focinho comprido trazia um trejeito lupino, exibindo presas do tamanho de espadas. Uma comprida língua bifurcada zurziu no ar por um instante.

Os personagens também não chamaram minha atenção. Os únicos com quem consegui simpatizar foram Arutha e Martin do Arco, e mesmo eles não são tão bem desenvolvidos assim.

Não sei dizer se a história foi prejudicada pela divisão do livro (Mago Aprendiz e Mago Mestre são um livro só, para quem não sabe, mas a SdE preferiu dividi-lo para lançar aqui). Sinceramente, com o tamanho do alívio que senti quando cheguei na última página, acho que prefiro assim; se fosso o livro inteiro, ainda estaria lendo e essa ideia não me agrada nem um pouco.

Não sei se irei continuar com a série. Acho que só se eu não tiver mais nada para ler mesmo. Duas asinhas para Mago Aprendiz, a segunda apenas por causa dos momentos em que a história pareceu dar uma melhorada. Enfim.

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Dicas de Escrita #05 - Construindo seu mundo (básico)

Se você está escrevendo um livro de fantasia ambientado em um mundo diferente do nosso, terá que passar pelo temível processo de construção de mundo. É cansativo, desgastante e de vez em quando você vai sentir uma vontade muito tentadora de mandar tudo para o escambau. Mas é o melhor a fazer, e a recompensa é gratificante.

Para sua história ser considerada original, não é só o plot e os personagens que precisam ser únicos. O mundo também precisa. Aliás, um dos segredos da fantasia é justamente esse: fazer com o leitor se sinta em um lugar completamente diferente. A jornada do seu protagonista também é dele, afinal de contas.

Há muitos modos de se começar a construir um mundo. Eu comecei no nada mesmo. Escrevi três capítulos da primeira versão da minha história (lá em junho de 2008, se não me engano) sem fazer a mínima ideia da cara do meu mundo. Na verdade, ele era uma réplica um pouco modificada de Arda, o mundo de O Senhor dos Anéis.

Não precisamos nem pensar muito para descobrir o resultado disso tudo. É claro que deu merda.

Eu não fazia a menor ideia do que estava fazendo. Não tinha nada de planejamento, nada de construção de mundo, nada de desenvolvimento de personagens. Dei literalmente um salto no vazio e me esborrachei no chão com um estilo digno de dar pena.

Como não cometer o mesmo erro do que eu? Primeiro, você tem que ter uma ideia do plot da sua história. Ou seja, saber mais ou menos em que lugares do seu mundo ela vai se passar. Na cidade mais rica? Em tal reino? Seus personagens viajam do lugar A pro lugar B? Essas coisas.

Obviamente, você não precisa ter tudo pronto agora. É só ter uma ideia, para te ajudar a montar o mapa do seu mundo.

Bem, eu demorei cinco anos para conseguir chegar em mundo que agora, pela primeira vez, realmente se difere dos outros em alguns aspectos, simplesmente porque fui teimosa e continuei escrevendo e reescrevendo a história sem ter muita noção da geografia do lugar. Planejei o plot na terceira versão, mas o mundo só veio na sexta. Para me ajudar a formá-lo, eu me fiz certas perguntas.

  • Quais os elementos que existem em seu mundo, mas não no nosso?

A resposta mais óbvia, pelo menos para a maior parte dos livros de fantasia, é a magia. As raças também, principalmente se você decidir criar novas. Qualquer coisinha que tenha no seu mundo e não tenha aqui vale. Aqui sua imaginação é quem manda.

  • Quais os elementos que existem no seu mundo e no nosso, mas são diferentes?

Veja As Crônicas de Fogo e Gelo, por exemplo. Lá, as estações demoram anos e até décadas. Em Eragon, os nomes (verdadeiros) possuem poder sobre as pessoas. Em Nárnia, alguns animais falam. Em O Senhor dos Anéis, animais também servem de espiões.

Resumindo, você tem que criar coisas, detalhes, que diferenciam seu mundo do nosso. É um processo penoso, mas, bem, é necessário.

  • Qual e como é a cultura dominante?

Pense no nosso mundo para essa questão. Qual a cultura que domina todas (ou quase todas) as outras atualmente? Fácil: os Estados Unidos.

Como é a cultura dos EUA? Fácil, mais uma vez: os americanos nasceram de um conceito de liberdade que acabou se transformando em imperialismo. Eles estão em todo lugar, influenciando os países com seu american way of life. Os fast-food são da cultura deles, também. O modo como nos vestimos é influenciado pelo modo como eles se vestem (que por sua vez foi influenciado pelo modo como os europeus se vestem). Os americanos também adoram baseball, filmes e sua sociedade é, até certo ponto, bastante liberal. Praticamente todo mundo tem direito igual garantido por constituição e, tecnicamente, a liberdade de expressão existe.

Agora pare para pensar na cultura dominante do seu mundo. Como ela é? De que país veio? É influenciada por algum tipo de religião? Se sim, qual? O que mais influenciou seu surgimento? É só ir fazendo perguntas assim que você conseguirá construir uma cultura crível.

  • Se o reino onde seu protagonista vive não é a cultura dominante, como ela é?

Basicamente a mesma coisa da pergunta de cima, mas nesse caso a cultura em questão não é a dominante. As perguntas continuam valendo, no entanto.

  • Faça um resumo rápido de todos os reinos do seu mundo (ou pelo menos dos principais).

Acredite, isso ajuda MUITO. Minha história possuía apenas quatro reinos  - que não tinham nada de diferente além do fato de que dois eram élficos, um era humano e o terceiro de uma raça que eu criei - antes de eu parar para pensar nesse resumo. Agora possui sete, e todos já possuem suas religiões, cultura e povos definidos. Não se esqueça de não colocar apenas brancos na sua história. Isso é um assunto muito polêmico na comunidade de escrita em língua inglesa, já que praticamente todos os livros de fantasia retratam brancos. 

Lembrando que você não precisa fazer o resumo de todos os reinos, sério. Coloque-se no lugar de uma pessoa da idade média ou da idade antiga; ela sabia quais eram os reinos vizinhos ao seu (se tanto), mas não fazia a menor ideia do que havia do outro lado do mar. Seus personagens não são obrigados a saber também.

Depois que você tiver os reinos importantes detalhados, pegue um papel e lápis e vá tentar desenhar o mapa de sua história. Não deixe essa etapa de lado, sério. A dor de cabeça que você vai ter depois se não se concentrar nisso agora será tenebrosa. Não precisa desenhar absolutamente tudo também; se estiver com dificuldades, desenhe apenas a área que seus personagens vão visitar ou que serão mencionadas durante o decorrer da história.

Procure criar lugares inovadores. Lembre-se: é fantasia. Crie o que bem entender (desde que seja explicável pelas leis do mundo, quero dizer). 

Então, quando tiver seu mundo mais ou menos definido, chegou a hora de criar direito aqueles povos e raças que mencionei anteriormente. Isso, infelizmente, vou deixar para outra matéria porque essa ficou gigante. Enfim, talvez eu a poste amanhã ou segunda. Espero que tenham gostado e qualquer coisa é só me gritar na ask do Tumblr ou aqui nos comentários mesmo. Fui.
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sábado, 11 de janeiro de 2014

Resenha #18 - Aprendiz de Assassino

Título: O Aprendiz de Assassino
Série: Saga do Assassino
Autor/a: Robin Hobb
Editora Leya
Skoob
O jovem Fitz é o filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e foi criado pelo cocheiro de seu pai, à sombra da corte real. Ele é tratado como um penetra por todos na realeza, com exceção do Rei Sagaz, que faz com que ele seja secretamente treinado na arte do assassinato. Porque nas veias de Fitz corre a mágica do Talento – e o conhecimento obscuro de um garoto criado em um estábulo, entre cães, e rejeitado por sua família. Quando assaltantes bárbaros invadem a costa, Fitz está se tornando um homem. Logo ele enfrentará sua primeira missão, perigosa e que despedaçará sua alma. E embora alguns o vejam como uma ameaça ao trono, ele pode ser a chave para a sobrevivência do reino.
A capa desse livro me manteve longe dele por muito tempo. Sei que não se deve julgar um livro pela capa, mas foi isso que fiz sem um pingo de peso na consciência Acho que estava um pouco farta de histórias sobre órfãos que se tornam assassinos, magos, arqueiros, etc, mas no final do ano passado fiquei sem ter o que comprar e me indicaram Aprendiz de Assassino. Como não tinha ideia melhor, comprei.

Demorei um milênio para terminá-lo. Não porque é chato ou coisa do tipo, mas sim por seu ritmo, que é bastante lento. Me lembrou aquelas fantasias mais antigas (e, como descobri depois, Aprendiz de Assassino não é exatamente novo. Não pode ser considerado velho mesmo, já que é de 1995, mas foge das tendências de hoje em dia), em que não há necessidade de fisgar o leitor nas primeiras páginas e nem existe a preocupação de mandar o herói em sua “jornada” o mais rápido possível. Levei um tempo para me acostumar (acho que o último livro com um ritmo parecido que li foi O Nome do Vento, e isso foi há dois anos), mas nem mesmo esse período foi ruim. A escrita da autora, Robin Hobb, é excelente, e a narrativa de Fitz, o protagonista, é bem… não sei, intensa? Não é essa exatamente a palavra, mas Aprendiz de Assassino é aquele tipo de livro que faz com que você se conecte de verdade e esqueça do resto do mundo. Pode ser algo lento, mas é cativante.

(Se você está esperando um livro hollywoodiano da vida, é melhor procurar outra coisa. Falo sério).

Os personagens também são muito bons. Fazia um bom tempo que eu não lia algo com personagens tão diferentes e bem construídos. Depois do último livro que li (cof O Trono de Vidro cof), confesso que estava com o ânimo meio baixo para personagens, mas Aprendiz de Assassino conseguiu me tirar desse estado rapidinho. Até os que quase não aparecem se assemelham a pessoas de verdade e não a um monte de adjetivos jogados juntos para mimicar um ser real. Meu preferido foi Veracidade, mas o próprio Fitz, Breu, Sagaz e Bronco também são excelentes.

"É uma coisa inebriante ser subitamente proclamado o centro do mundo de alguém, mesmo que esse alguém seja um cãozinho de oito semanas de vida. Isso me fez perceber o quão profundamente sozinho eu me sentia, e há quanto tempo."

Sendo um livro contado em primeira pessoa pelo próprio protagonista, Aprendiz de Assassino me tinha com um pé atrás logo na primeira página. Tenho cisma com primeira pessoa, confesso, já que os piores livros da minha vida geralmente são escritos desse jeito. Em fantasia esse carma geralmente não acontece - O Nome do Vento é em primeira pessoa na maior parte do livro, e eu o adoro -, mas mesmo assim fiquei meio hesitante. Meus temores se mostraram, felizmente, infundados; é um Fitz mais velho que narra suas aventuras, sempre inserindo algo que julga necessário que o leitor saiba no início dos capítulos, o que facilita muita coisa.

Há muito mais a ser dito sobre esse livro. Há o Talento, uma arte milenar que se centraliza na família real e permite ao usuário se comunicar com outras pessoas e até influenciar suas ações; há a Manha, uma conexão entre uma pessoa e um animal, mal vista por várias pessoas da sociedade; há os nomes, que sempre indicam algo sobre seu portador (ou o que seus pais queriam que ele fosse e sim, estou falando de Majestoso), e os Navios Vermelhos, que atormentam os Seis Ducados e Forjam seus habitantes, tirando-lhes a humanidade… Enfim, há muita coisa, e todas valem a pena.

"Cresci sem pai nem mãe, numa corte onde todos me conheciam como um divisor de águas. E um divisor de águas me tornei."

Indico muito para quem gosta de uma aventura mais encorpada, lenta e, às vezes, complexa, que tenha bons personagens e um excelente final. Cinco asinhas para Aprendiz de Assassino.
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Resenha #17 - Fios de Prata

Título: Fios de Prata
Série: -
Autor/a: Raphael Draccon
Fantasy - Casa da Palavra
Skoob

Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Mas à noite os sonhos o amendrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho – ou pesadelo – é muito maior que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais. Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.

Quando vi esse livro na livraria, tive duas reações. A primeira foi adorar a capa e o título. A segunda foi soltar um suspiro meio tenso quando percebi que o livro era do Draccon.

Sei que isso vai soa meio “mean” e, sei lá, feio, mas tenho o primeiro volume de Dragões de Éter aqui na minha estante há milênios. Já tentei ler duas vezes, mas nunca consegui passar da página cem porque, meu Deus, capslock, e a fourth wall sendo quebrada o tempo todo, e exclamações, e onomatopeias e ew, não, não rola pra mim, por mais que a história pareça sim interessante. Então quando vi que Fios de Prata era do Draccon, fiquei meio desanimada. A ideia me pareceu excelente, mas meu sexto sentido apitando loucamente não me deixou comprar esse livro da primeira vez que o vi.

Lá pela vigésima vez, desisti e o comprei.

Foi a última vez em que não confiei em meu sexto sentido.

“Tu inspiraste Rowling, e foi nas terras de Morpheus que se moldou Hogwarts. Tu inspiraste Tolkien, e foi nas terras de Phantasos que se anexaram as extensões de Terra-Média. Tu inspiraste Lovecraft e em minhas terras se fixou Miskatonic. Então eu te pergunto com sinceridade, anjo: até onde vai tua vontade de ser coadjuvante em um mundo de formas e pensamentos?” 

O livro começou bom. As descrições eram ótimas e a premissa também. Os diálogos me incomodaram desde o início, mas eu estava disposta perdoar isso (se você for ler literatura fantástica brasileira e não perdoar os diálogos está ferrado, porque juro que é a fraqueza de 90% dos escritores daqui). O problema começou na medida em que a história progredia. Os diálogos se tornavam mais e mais forçados, o romance entre Allejo e Ariana se mostrou sem graça e muito rápido para meu gosto (ah, eu não acredito em amor à primeira vista, me desculpem) e o pior, as descrições saíram de boas para um completo desastre.

Houve, não sei… Uma vontade grande demais de fazer o livro ser algo épico, o que resultou em um ar muito artificial e falso e em passagens piegas e dramáticas demais para qualquer um (juro que meus olhos foram parar na nuca de tanto que os revirei). Foi chato pra caramba ver uma ideia tão legal se tornar um livro tão fraco. Nem mesmo os personagens salvaram. Aliás, Allejo e Ariana me pareceram estereótipos sem profundidade alguma.

Nada deu certo pra mim nesse livro. 

Mas as descrições foram a pior parte, sem dúvida. Eu nem o que diabos aconteceu com a escrita de Fios de Prata. Não sou muito fã do estilo do Draccon, mas sei reconhecer que ele escreve razoavelmente bem. Mas o que vi nesse livro me deixou sinceramente decepcionada.

Enrolei pra caramba com essa resenha porque sei que muita gente fica doída dizendo que é recalque, preconceito contra escritor brasileiro e blá blá blá (eu sendo tentativa de escritora então só piora o quadro), mas gosto muito de três escritores de fantasia nascidos aqui, então nem é esse o caso.

O fato é: depois de Fios de Prata, desisti oficialmente dos livros do Draccon. Valorizo minha carteira e minha sanidade, obrigada. Esse livro foi purple prose pura.

Enfim, uma asinha pra Fios de Prata.

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dicas de Escrita #04 - Fantasia & Sobrenatural - Conhecimentos básicos (2/2)

Fantasia é meu gênero preferido, de muito, muito longe. Sou viciada em elfos, dragões e grandes guerras desde que me lembro e por isso 95% das ideias que tenho são voltadas para essa temática. Obviamente, venho pesquisando bastante sobre o gênero há anos, já que meu primeiro livro, o que estou escrevendo atualmente, é desse tipo.

Fantasia é um assunto muito amplo, mas a primeira coisa que você tem que aprender se é um iniciante no gênero é simples: há grandes chances de você ser um clone de Tolkien.

Para quem não sabe, Tolkien é o autor de O Senhor dos Anéis, O Hobbit e outros livros que contam a história da Terra-média. Ele é considerado o pai da fantasia moderna e todos, todinhos mesmo, que vieram depois dele acabaram influenciados pelos seus trabalhos. Você é influenciado mesmo se não gostar de O Senhor dos Anéis; se você gosta de fantasia, provavelmente gosta de algum autor em especial, e existe uma enorme chance de ele ter se inspirado em Tolkien. Isso, obviamente, gera um monte de histórias que parecem ser quase completamente iguais.

A situação no Brasil é ainda pior. Os livros de fantasia que chegam até aqui são apenas uma fração dos que são publicados lá fora. O Olho do Mundo, de Robert Jordan, é considerado um clássico da fantasia no mundo inteiro, mas até pouco tempo atrás quase ninguém aqui sabia de sua existência. O Olho do Mundo foi lançado dia 2 de setembro do ano passado pela Intrínseca, depois de vinte e três anos do lançamento da versão original, em inglês. Mistborn, de Brandon Sanderson (que, aliás, terminou a série de O Olho do Mundo porque o Robert Jordan morreu antes), também será publicado aqui em breve, finalmente. Durante anos e anos, nós recebemos apenas as histórias que alcançavam sucesso estratosférico - O Senhor dos Anéis, Nárnia, Eragon e recentemente As Crônicas de Gelo e Fogo (mais conhecida como Game Of Thrones). O resultado disso? Simples: nossos livros de fantasia são ainda mais repetitivos dos que são lançados no exterior, porque O Senhor dos Anéis, por muito tempo, foi a única coisa que tivemos por aqui.

Como reconhecer um clone de Tolkien? Se a história tiver elfos, são elegantes, sábios, raramente cometem erros, a maior parte usa arco e flecha. Não gostam dos anões, que são ferreiros e mineradores incríveis, além de grandes construtores de cidades dentro das montanhas. O mundo é praticamente uma Europa medieval. Bem e mal são bem definidos, inclusive em relação aos personagens. Os elfos provavelmente vieram de algum lugar além-mar há muito perdido na memória e os dragões foram extintos ou quase não existem. 

(Se você reconheceu Eragon, não, você não está errado.)

Como não se tornar um clone de Tolkien? Novamente, simples: leia outros livros de fantasia. Uma boa parte deles não foi e provavelmente não vai ser publicada aqui nunca, mas fuçando na internet você consegue achá-los em inglês ou traduzidos por fãs. É um estorvo, mas não há outro jeito, não se você quiser ser um bom escritor de fantasia. 

Agora para as vias de fato.

Existem dezenas de subgêneros de fantasia, mas os principais são alta-fantasia e baixa-fantasia.

  • Alta-fantasia: O Senhor dos Anéis é o maior exemplo. Alta-fantasia se passa em um mundo diferente, completamente independente, mas que pode ser ligado ao nosso (Nárnia). Os problemas de uma série de alta-fantasia são em escala mundial, como, por exemplo, salvar o mundo, destruir o carinha que quer escravizar a todos, etc. Geralmente trata de grandes questões da vida, como o destino. Lotadas de grandes guerras e batalhas, além de seres de todo o tipo. A magia é uma presença constante e desempenha um papel considerável na história.
  • Baixa-fantasia: A Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss) é o maior exemplo. O mundo pode ser o nosso, mas o mais frequente é que seja outro mesmo. Os problemas são em escala menor, tratando mais da vida dos personagens ou de um reino, e não do mundo inteiro. Há também coisas mais “reais” na baixa-fantasia (a política ou jogos da corte, por exemplo),  e a magia não representa um grande papel, embora esteja presente.

As Crônicas de Gelo e Fogo são um caso especial. No início, podia ser classificada como baixa-fantasia, pois tratava da guerra pelo trono de Westeros, mas quem leu os últimos livros sabe que há, agora, o perigo de que o mundo seja coberto pela Longa Noite e, desse modo, seja destruído para sempre. Essa não é, definitivamente, uma característica típica da baixa-fantasia, e com a magia aumentando cada vez mais, As Crônicas de Gelo e Fogo pode ser considerada uma obra de alta-fantasia.

Como escrever um livro bom de fantasia? Bem, eu adoraria saber a resposta exata para essa pergunta (me livraria de um monte de problemas, acredite), mas nesses anos em que venho fuçando todos os cantos da internet atrás de coisas relacionadas a fantasia, encontrei algumas boas dicas.

  • Faça seu mundo especial. Não o faça apenas uma réplica da Europa medieval com magia. O continente europeu não era o único a existir no passado; dê uma olhada na cultura de outros lugares e tente basear seu mundo neles. Além disso, tente mesmo pensar em coisas únicas para o caracterizar melhor; isso é fantasia. Faça o que você quiser.
  • Se houver magia, saiba usá-la. Não dê uma de deus ex machina, fazendo a magia salvar todo mundo na última hora sem explicação ou com uma explicação capenga. Crie regras para a magia e para aqueles que a usam. Faça um sistema crível.
  • Fuja dos clichés. O garoto da fazenda que descobre ser algo incrível (filho do rei, o guri da profecia, etc). O velho mentor sábio (que provavelmente morre), a princesa guerreira que está pouco se lixando pra homens, a profecia, o Lorde das Trevas, etc. Isso não quer dizer que você não pode usar esses tipos de personagem, só que é preciso dar um ar novo para eles.
  • Crie novas raças. Eu amo elfos de paixão, mas criar novas raças é sempre bom. Dá um toque especial na história, se forem bem pensadas. Isso não quer dizer que você não pode usar elfos e anões, obviamente.
  • Deuses e religiões. É bem improvável que seu mundo tenha apenas uma religião ou um deus. Nós não temos uma única religião e um único deus, imagine um mundo onde magia existe então? Diversidade é a chave.
  • Whitewashing. Já que boa parte dos mundos fantásticos por aí são baseados na Europa, todo mundo acha que só deve ter branco. Gente, não tinha só branco na Europa medieval. Nem deveria existir só branco na sua história. Novamente, diversidade é a chave.
  • Worldbuilding. Pense na geografia do seu mundo. Pense nos reinos que existem e quais as relações entre eles. Como é o clima, como é medida a passagem do tempo, qual a moeda, etc. Worldbuilding é uma das tarefas mais cansativas, mas vale a pena.
  • Cuidado com as personagens femininas. Mulheres em livros de fantasia são sempre um assunto polêmico. Na verdade, é tudo culpa do mito da personagem feminina forte, o que acabou geralmente as personagens femininas que agem como homens (e o total desprezo pelas personagens femininas que agem como mulheres). Esse é um tópico muito extenso. Mais outra coisa pra eu fazer de matéria.
  • Aliás, cuidado com todos os personagens. Não caia em clichés e estereótipos. Seus personagens são pessoas, lembre-se disso.
  • Idiomas. Mesmo que você não queira criar idiomas novos, você tem que ter em mente que é impossível um mundo em que todo mundo fale a mesma língua. Povos diferentes falam línguas diferentes.

Essas são apenas algumas coisas em que você deve prestar atenção e/ou pesquisar sobre. Criar um novo mundo é muito, muito cansativo e requer dedicação. Há chances demais para dar merda, falando sinceramente. Ser original hoje em dia é um processo exaustivo.

Bem, além das fantasia em que você tem que criar um mundo novo, existe as que você pode fazer aqui mesmo, no nosso mundo. A mais conhecida delas é a fantasia urbana, frequentemente confundida com sobrenatural.

Olha, é uma confusão separar fantasia urbana de sobrenatural, e eu nem vou me atrever a ir muito longe nesse assunto. Eu acho (euzinha, e eu provavelmente penso diferente de um monte de gente por aí) que a magia é um dos motivos para diferenciar. Digo, quando a magia é um ponto mais forte, acho que a história pende para fantasia urbana. Mas depende muito. Histórias de bruxas no nosso mundo seriam consideradas do gênero sobrenatural, creio eu. Fantasmas iriam definitivamente para sobrenatural, assim como vampiros e lobisomens. Fadas talvez fossem pra fantasia urbana. Demônios serviriam para os dois.

Enfim, não dá pra diferenciar assim.

Acho que é só isso que eu tenho a dizer, por alto. Como dito no título do post, esses são os conhecimentos básicos. Só worldbuilding daria uma boa quantidade de posts, assim como idiomas, magias e raças. Espero que tenha ajudado e qualquer coisa é só gritar na ask do Tumblr ou comentar aqui mesmo. Fui.
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Resenha #16 - Revista Trasgo (01)


Olá, olá. Sim, eu sei que estou devendo uma resenha e uma matéria, mas resolvi dar uma passada rápida para resenhar algo diferente - ao invés de um livro ou um filme, hoje escolhi uma revista.

A Revista Trasgo é a mais nova revista de contos de fantasia e ficção científica brasileira. De graça (pelo menos por enquanto) e digital, fica bem fácil colocar no celular e ler sempre que aparecer um tempinho livre. E, bem, foi isso que eu fiz.

A Trasgo é composta por cinco contos, todos de temas diferentes (dentro, é claro, dos gêneros de fantasia e ficção científica). Abaixo está minha opinião sobre cada um deles, e lá no final colocarei o link para o site da revista, onde você também pode ir para ler o material da edição piloto.

  • Ventania: escrito por Hális Alves, Ventania é um conto distópico que se passa no litoral nordestino. Não quero falar muito do enredo para não estragar a história, mas eu gostei bastante do worldbuilding feito pelo autor para esse conto. A coisa toda ficou verossímil e bem estruturada, o que me deixou confortável para seguir com a leitura sem trancos ou barrancos. As únicas coisas que me incomodaram foi: 1) o final ficou um pouco corrido; Ventania se daria melhor como uma curta do que como um conto e 2) diálogos me incomodaram em alguns momentos, mas nada grave. De resto, está muito bom.
  • Azul: quem me conhece sabe que sou meio medrosa e fujo de qualquer coisa que envolva terror, mas o conto escrito por Karen Alvares me conquistou pela ideia original. Mais uma vez o final ficou meio corrido, mas a ideia foi tão boa que isso nem incomodou muito. Azul conta a história de Nora, que tem um encontro macabro ao voltar para casa
  • Náufrago: outro conto ambientado no nordeste (dessa vez na minha cidade, Salvador), escrito por Marcelo Porto, conta a história de Diogo, um homem que acaba no meio de uma enorme confusão no tempo enquanto atravessava a Baía de Todos os Santos a trabalho. Conto no geral bom; a escrita/os diálogos me incomodaram várias vezes, mas eu gostei.
  • Gente é tão bom: sinceramente não sei o que dizer desse conto. Acredito que seja uma espécie de crítica a nossa sociedade consumista de produtos industrializados, mas acho que a coisa toda ficou corrida demais para ter um bom efeito. No geral, regular. Escrito por Claudia Dugim.
  • A Torre e o Dragão: melhor conto dessa edição. Sinceramente, eu o adorei. Adorei tudo, desde a escrita até o enredo. Perfeito, sem mais. Se a autora, Melissa de Sá, fizesse um livro com esse plot eu compraria sem pensar duas vezes. O final foi muito bom, e sim, agora vou dar uma stalkeada básica na escritora pra ver se acho mais trabalhos dela.

Além dos cinco contos, a Trasgo conta também com uma galeria de imagens, que muda a cada edição. Dessa vez o artista foi o Filipe Pagliuso, e você pode clicar aqui para conferir as obras dele para a revista.

E, por último, você pode enviar seu conto para a próxima edição da Trasgo. Para mais informações, clique aqui. Para ler/baixar a Trasgo, clique aqui.

Enfim, três asinhas para a edição piloto da Trasgo.

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domingo, 5 de janeiro de 2014

Resenha #15 - Ender's Game

Em um futuro próximo, extra-terrestres hostis atacaram a Terra. Com muita dificuldade, o combate foi vencido, graças ao heroísmo do comandante Mazer Rackham (Ben Kingsley). Desde então, o respeitado coronel Graff (Harrison Ford) e as forças militares terrestres treinam as crianças mais talentosas do planeta desde pequenas, no intuito de prepará-las para um próximo ataque. Ender Wiggin (Asa Butterfield), um garoto tímido e brilhante, é selecionado para fazer parte da elite. Na Escola da Guerra, ele aprende rapidamente a controlar as técnicas de combate, por causa de seu formidável senso de estratégia. Com isso, logo se torna a principal esperança das forças militares para encerrar de uma vez por todas com a ameaça alienígena.

É, eu sei que hoje é domingo e não é dia de resenha, mas como ontem não postei nada decidi burlar um pouco a nova agenda para postar minha opinião sobre Ender’s Game, filme que assisti nessa última quarta.

Fazia um bom tempo que estava esperando para finalmente ver do que Ender’s Game se tratava. Vi o trailer há uns cinco meses atrás e adorei. Quando descobri que era baseado em um livro então, fique ainda mais empolgada e o coloquei na minha lista de livros para comprar. Cheguei a ler apenas uns três capítulos, mas broxei total quando soube que o autor é um babaca homofóbico e acabei deixando a história de lado.

Mas não pude deixar de ir conferir o filme no cinema, e não me arrependo nem um pouco.

Ender’s Game se tornou um dos melhores filmes do ano pra mim. Os personagens são bons (Ender mesmo é extremamente interessante) e os atores fizeram um trabalho excelente. Meu ponto fraco em filmes é geralmente a trilha sonora, e quem quer que seja que tenha feito a de Ender’s Game merece um prêmio; as músicas ficaram perfeitas e se encaixaram muito bem com todo o clima da história. Os efeitos especiais também foram brilhantes, o que tornou o filme algo ainda mais aprazível de se assistir.

Agora falando mais do enredo em si, confesso que o adorei. Apesar de toda a carga hollywoodiana de efeitos especiais, explosões e coisas do tipo, a história de Ender’s Game é mais profunda que a da maior parte dos filmes que costumo assistir hoje em dia. Prestando um pouco de atenção, se pode ver a crítica à cultura de guerra dos dias da atualidade (mesmo que livro tenha sido escrito há mais de 30 anos) e também à ideia de bem e mal, de preto e branco, como coisas perfeitas e opostas, sem dar espaço para o famoso “cinza”.

“No momento em que eu realmente entender meu inimigo, entendê-lo bem o suficiente para derrotá-lo, então, neste momento, eu também o amo.”

Ender é sem dúvida o melhor do filme. Asa Butterfield fez um trabalho excelente representando o personagem brilhante que é Ender (aliás, vou sair caçando mais filmes dele, porque sério, o menino é muito bom). Com a trama toda sendo centrada principalmente nele, temos a oportunidade de descobrir o que o motiva, o que ele pensa, do que tem medo e qual é seu objetivo, entre outras coisas, o que torna bem fácil simpatizar e torcer por ele.

O final, pra mim, foi perfeito (eu quase chorei em uma parte porque sou dessas choronas mesmo). Ouvi rumores sobre uma continuação, e se for para manter a mesma qualidade que esse primeiro filme, espero que esse seja o rumor mais verdadeiro do ano.

Indico Ender’s Game para quem gosta de ficção científica, bons personagens e uma história que vai além de explosões na galáxia. Cinco asinhas.


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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Resenha #14 - O Trono de Vidro

Titúlo: O Trono de Vidro
Série: O Trono de Vidro, volume um
Autor/a: Sarah J. Maas
Galera Record
Depois de cumprir um ano de trabalhos forçados nas minas de sal de Endovier por seus crimes, Celaena Sardothien, 18 anos, é arrastada diante do príncipe. Príncipe Dorian lhe oferece a liberdade sob uma condição: ela deve atuar como seu campeão em um concurso para encontrar o novo assassino real. Seus adversários são ladrões e assassinos, guerreiros de todo o império, cada um patrocinado por um membro do conselho do rei. Se ela vencer seus adversários em uma série de etapas eliminatórias servirá no reino durante três anos e em seguida terá sua liberdade concedida. Celaena acha suas sessões de treinamento com o capitão da guarda Westfall desafiadoras e exaustivas. Mas ela está entediada com a vida da corte. As coisas ficam um pouco mais interessantes quando o príncipe começa a mostrar interesse por ela… Mas é o rude capitão Westfall que parece entendê-la melhor. Então um dos outros concorrentes aparece morto rapidamente seguido por outros… Pode Celaena descobrir quem é o assassino antes que ela se torne a nova vítima? A medida que a investigação da jovem assassina se desenrola a busca por respostas a leva descobrir um destino maior do que ela jamais poderia ter imaginado.

Sim, eu sei que sumi. Sinto muito, mas estava aproveitando minhas férias sendo inútil. Mas ok, voltei e tentarei manter o ritmo agora. Feliz ano novo!

Antes de pegar esse livro pra ler, eu já tinha uma espécie de admiração por ele. Não só por causa da capa (linda de morrer embora a contracapa seja ainda mais bonita), mas também porque andei dando uma stalkeada básica na autora e ela me pareceu ser muito legal. E, o motivo mais forte de todos, O Trono de Vidro era uma história da internet antes de ser catapultada para o mercado editorial.

Quem aqui não consegue se entusiasmar, nem que seja um pouco, com uma trajetória dessas? Afinal, a maior parte de nós quer muito um livro publicado e já postamos, pelo menos uma vez, alguma coisa na internet. Então, é, eu estava bastante empolgada.

Além disso, a autora diz que a história surgiu da simples premissa de “e se Cinderela fosse ao baile para matar o príncipe?” e sim, eu estava morrendo por esse livro. Não parece ser super legal?

Pois só parece.

Celaena não temia a noite, embora achasse pouco reconfortante as horas escuras. Era apenas o momento em que dormia, o momento em  que perseguia e matava, o momento em que as estrelas emergiam com beleza reluzente e a faziam se sentir maravilhosamente pequena e insignificante.

Acho que meu problema começou pela escrita. Eu sei que O Trono de Vidro é mais voltado para o público jovem (sendo assim um YA), mas não deixa de ser fantasia. E, para mim, a escrita da Maas simplesmente não foi o suficiente para me passar uma boa impressão, considerando o gênero. Foi fraca demais o livro todo. Não ruim, sabe? Mas não ótima também. Foi… rasa.

Aliás, “raso” define bem o livro inteiro.

Antes de ler o livro, achei que fosse amar a Celaena. Nos primeiros capítulos, porém, me conformei com a ideia de suportá-la apenas, já que gostar parecia um pouco (ok, muito) distante. Mas lá pro final passei a simpatizar mais com ela. Os outros personagens foram no mesmo nível ou piores. Quem acompanha o AP há algum tempo sabe que eu tenho verdadeiro pavor a triângulos amorosos e O Trono de Vidro deixa um explícito já na sinopse, mas eu, sendo a idiota que sempre sou, comprei o livro do mesmo jeito (sabe aquela vozinha que fica gritando pra você não fazer algo? Então. Foi minha relação com esse livro do início ao fim, com a vozinha gritando não compra! e eu respondendo, mas olha, a protagonista parece ser super legal, e ela, não compra, é YA!, e eu, mas pera, a autora é uma fofa, e ela, não compra, triângulo amoroso!, e eu, obviamente, a ignorei e aqui estou. Toda vez que não escuto a vozinha me ferro lindamente). 

Mas até que o triângulo amoroso não foi tão ruim. Acho que a Celaena vai acabar ficando com o cara que eu não gostei, porque isso sempre acontece (dedo podre desgraçado o meu, hein, te contar), mas a coisa toda poderia ter sido algo bem pior. Ainda foi ruim. Meio meh, cliché, rápido demais, e raso.

Raso, raso, raso. Sei que estou repetindo isso demais, mas fiquei com a impressão de que a história não deu tudo o que tinha pra dar. Parece que a autora preferiu ficar em um terreno mais simples (e sem graça), e a mecânica do livro ficou muito à mostra. Foi algo meio… amador. É, chato dizer isso, mas foi a ideia que me passou. Além disso, não consegui sentir nada. Nothing. Nadica, neca de pitibiriba, zero. Nada pela história, nada pelos personagens, nada por nada. Nada.

O Trono de Vidro é um livro pelo qual passei batida e que não vai ficar marcado na memória. Foi meh. A única coisa para qual ele serviu, pelo menos pra mim, foi me incentivar a continuar escrevendo. Pode parecer ridículo, mas foi o que aconteceu.

É isso. Existem livros piores que esse, mas se você está esperando algo extraordinário, acho melhor pensar duas vezes.

Ou sei lá, né, cada um tem sua opinião.

Mas duas asinhas pra O Trono de Vidro.

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