Título: Prince Of Thorns
Série: Trilogia dos Espinhos
Autor: Mark Lawrence
DarkSide Books
Skoob
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Tem início a Trilogia dos Espinhos: Ainda criança, o príncipe Honório Jorg Ancrath testemunhou o brutal assassinato da Rainha mãe e de o seu irmão caçula, William. Jorg não conseguiu defender sua família, nem tampouco fugir do horror. Jogado à sorte num arbusto de roseira-brava, ele permaneceu imobilizado pelos espinhos que rasgavam profundamente sua pele, e sua alma. O príncipe dos espinhos se vê, então, obrigado a amadurecer para saciar o seu desejo de vingança e poder. Vagando pelas estradas do Império Destruído, Jorg Ancrath lidera uma irmandade de assassinos, e sua única intenção é vencer o jogo. O jogo que os espinhos lhe ensinaram.
Prince Of Thorns é o primeiro da Trilogia dos Espinhos (The Broken Empire), do autor americano/britânico (sim, os dois) Mark Lawrence. Os volumes finais, King Of Thorns e Emperor Of Thorns, já foram lançados lá fora.
Quando vi Prince Of Thorns ainda na pré-venda, fiquei animada instantaneamente. A capa é perfeita. Aliás, toda a edição é perfeita, com capa dura e vários detalhes por dentro. Nesse ponto a DarkSide está de parabéns, e, se fosse por mim todos, os livros lançados aqui teriam o mesmo padrão de Prince Of Thorns. Realmente foi um trabalho excelente.
Continuando, a história de Jorg Ancrath, o Príncipe dos Espinhos, me chamou a atenção desde o primeiro momento. Confesso que sou fã de anti-heróis, já que na maior parte das vezes eles acabam sendo até mais interessantes e relatáveis do que os heróis comuns. Esperava condenar as ações de Jorg, mas ainda assim simpatizar com ele e compreendê-lo, e nem mesmo o fato de o livro ser narrado em primeira pessoa me incomodou nas primeiras páginas. Eu queria mesmo que esse fosse o melhor livro do ano pra mim.
Infelizmente, querer não é poder, como já sabemos.
Não sei exatamente onde a história começou a me perder. Talvez seja culpa do Jorg. Olha, eu realmente não me importo com violência em livros, e não foi isso que me fez perder o gosto pelo protagonista ou pelos acontecimentos. Na verdade, a única coisa que realmente me incomodou foi o que o Jorg fez com as filhas do fazendeiro, e essa parte sequer é narrada. Simplesmente foi um corta clima total, e, sei lá, não consegui me conectar mais com a história após isso. A impressão que tive do Jorg, apesar de todas as coisas ruins que ele fez, no entanto, não foi de que ele é cínico ou mal ou sei lá, mas sim de que ele é chato. Muito chato.
Não sei se é porque eu sou mulher, mas isso de estupro simplesmente... Não, sabe? Não rola, por mais que você esteja querendo fazer uma fantasia realística e coisa e tal. Você pode fazer, claro (a história é sua, afinal), mas eu não sinto vontade alguma de acompanhar um protagonista que faz esse tipo de coisa. O problema não é incluir o realismo... É esperar que a gente se finja de impassível diante de certas ações só porque elas acontece no mundo real. Acho que há um limite, e fosse o livro de fantasia ou não, eu não iria querer acompanhar Jorg Ancrath. Além disso, o modo como as mulheres são tratadas nesse livro me deixou bastante incomodada. Sabe quando você lê um livro e não consegue se identificar com os personagens? Então. Nenhum deles me cativou. Aliás, o nubano, um dos membros do grupo do Jorg, o fez, um pouco. Foi o único personagem com quem consegui me importar, e ele tem pouquíssimas falas (e nem tem nome). Tirando ele... Nada.
"Diga-me, tutor," eu disse. "A vingança é uma ciência ou uma arte?"
Como não suporto o Jorg, ter ele narrando a história foi um tormento. Mesmo que em alguns momentos as coisas realmente ficassem interessantes, os comentários dele me enervavam tanto que eu perdia a vontade de continuar. A falta de conhecimento sobre o mundo - que, aliás, é o nosso modificado, uma sacada que achei bem legal - também me incomodou em algumas partes, mas acredito que estas questões serão respondidas nos próximos volumes.
Outra coisa que me irritou foi o deus ex machina do final. Um senhor deus ex machina, vale frisar, e uma maneira muito idiota de terminar com o livro. Eu tenho horror a finais como esse de Prince Of Thorns, que também acabou meio corrido.
E sinto muito, mas tenho que reforçar: Jorg é um pirralho chato pra caramba, convencido demais e terrivelmente forçado. Quase não pude me evitar de revirar os olhos a cada três páginas, e chegar na última foi como se eu tivesse sido liberta de cem anos de prisão. É sério.
Resumindo tudo, Prince Of Thorns tem uma ideia excelente, mas um desenvolvimento não tão bom quanto seria possível. Mesmo assim, recomendo para quem quer uma fantasia mais realística (hm) e não se incomoda uma dose boa de violência. Duas asinhas pra ele.














