segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Dicas de Escrita #01 - Bloqueio de Escritor

Nem preciso dizer que todo escritor já passou por isso, certo? É bastante comum e alguns, como eu, são amaldiçoados constantemente por essa momentânea incapacidade de colocar as palavras no papel. Há zilhões de dicas de como superar o bloqueio de escritor espalhadas pela internet, e eu mesma já fiz várias matérias sobre isso em outros blogs, mas para esse post decidi fazer algo mais pessoal e, quem sabe, realista.

A primeira coisa que você tem que fazer se quer superar o bloqueio de escritor é se perguntar o porquê de você estar com ele. Sempre há um motivo, por mais simples e subtendido que seja. Problemas na escola ou em casa, por exemplo, podem afetar bastante sua capacidade de escrever. Para mim, o que mais alimenta o bloqueio de escritor, no entanto, é a preguiça e a falta de planejamento.

É muito mais fácil escrever quando se sabe o que está acontecendo e (principalmente) o que vai acontecer nos próximos parágrafos. Você pode até demorar um pouquinho mais em uma frase ou outra, mas sabe com toda certeza para onde está levando sua história. O bloqueio de escritor, na maioria das vezes, chega quando esse terreno conhecido acaba e você se vê em uma encruzilhada, sem saber para onde levar a história até chegar até aquele outro ponto que você já planejou. Esses “buracos” são conhecidos por muitos nomes; brechas, filers, falhas, etc, e uma das maiores dificuldades de todo escritor é construir as pontes por cima deles.

Veja se você não se reconhece: seus personagens acabaram de fazer algo importante - sei lá, resgataram a princesa - e agora têm como missão levá-la de volta para o seu reino. Eles escapam do castelo do dragão e então param. Certo, mas e como levá-los até o reino da princesa? Você não planejou essa parte. Em sua mente (ou em suas anotações) só havia algo do tipo, “eles matam o dragão, fogem do castelo e entregam a princesa ao pai dela, fim.”

Isso é um buraco, uma falha, e é seu dever construir uma ponte por cima dela, o que, convenhamos, geralmente não é uma tarefa fácil. Você pode se pegar olhando fixamente os últimos parágrafos que escreveu, tentando pensar em algo, qualquer coisa, mas nada sai e, frustrado, você rapidamente abre a aba do Tumblr no seu navegador e passa a próxima hora sem nem lembrar que sua história existe. Mas então você volta ao arquivo, olha de novo para os últimas linhas, não consegue pensar em nada e, mais uma vez, vai para o Tumblr ou a qualquer outro site. Mais tarde, você provavelmente vai dizer para alguém, ou até para si mesmo, a famosa frase “não saía uma palavrinha sequer!”

Qualquer coisa parece ser mais fácil do que construir a maldita ponte. Então você se entrega à procrastinação e, voilà, bloqueio de escritor (ou pelo menos um dos seus tipos).

É difícil superar essas brechas. Alguns dizem que ouvir música ajuda e eu concordo em partes. É bom ouvir músicas para se inspirar, para imaginar novas cenas ou desenvolver antigas, mas, na hora de escrever, aconselho o completo silêncio e a eliminação de qualquer tipo de distração - sua querida wi-fi, por exemplo, é a maior vilã. Ouça música antes, veja um filme antes ou leia um livro antes. A solução pode cair do céu (se você for sortudo) ou não. Se não cair,  pregue o traseiro na cadeira e encare o Word em branco mesmo. E, acima de tudo, se force a pensar.

Procrastinação é a maior inimiga do escritor, principalmente aliada à wi-fi. Não procrastine. Ou melhor, fuja das distrações como o diabo foge da cruz. Seu livro não vai se escrever sozinho.

Se pensar não funcionar e a ponte ruir, pule o buraco. Escreva o que você sabe que vem depois; lembre-se que, por mais que sua história seja cronológica, o processo de escrita dela pode não ser. Se não ficar como você quer, lembre-se também que é seu primeiro draft. E, como dizem por aí, você pode editar uma página mal escrita, mas editar uma página em branco é impossível. 

De qualquer modo, não pare de escrever. Nem mesmo que seja um diário. A escrita é como um músculo; você só fica bom exercitando-o. Nada de ficar parado.

Bem, é isso. Esperam que tenham gostado dessa primeira dica de escrita do AP. Qualquer dúvida ou sugestão, é só me deixar um comentário. Fui.
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