Como disse ontem na minha resenha de ASOIAF, eu já gostei mais da Arya. Lá no início, no primeiro livro, ela era minha segunda preferida, atrás apenas da Daenerys (que hoje, infelizmente, já não ocupa mais tal posto). Não vou tentar ser imparcial nessa análise, já que uso esse tipo de matéria justamente para mostrar os pontos fortes e fracos de cada personagem.
Diferentemente da Mikasa, da primeira análise, a Arya é de um livro, o que acaba tornando as coisas um pouco mais fáceis.
(Não vou explicar o plot de ASOIAF aqui. Tem lá na resenha, para quem não conhece. E seguirei os livros, e não a série da HBO).
Arya Stark é a tomboy da Westeros. Ela não quer ser uma senhora como a mãe ou a irmã, mas sim um cavaleiro como o pai e os irmãos Robb e Jon Snow, o que não é exatamente cliché e sim uma trope muito usada nos livros de fantasia. Acho que a maior diferença entre Arya e as outras tomboys da literatura fantástica é o fato de que ela é bem mais nova e, também, que é forçada a amadurecer muito mais rápido.
Apesar de ter sido criada com todas as regalias em Winterfell, a vida de Arya nunca foi um completo mar de rosas. Por ser diferente, ela foi tratada mal por sua irmã Sansa e suas amigas, e até mesmo pela Septã Mordane, que nunca teve muita paciência com as peculiaridades da menina. Acredito que essa pirraça constante influenciou muito em sua personalidade, que se tornou bem mais obstinada e mesmo teimosa.
Porém, em Winterfell, Arya era feliz sim.
Quando ela parte com o pai para Porto Real e o incidente com Mycah acontece, Arya começa a perceber que o mundo não é um lugar tão bonito assim. A morte de Mycah mostrou para ela que os mais fracos sempre acabam sofrendo no lugar dos mais fortes, e, é claro, contribuiu para suas picuinhas com Sansa, que no livro um era simplesmente insuportável. Mas quando ela começa a ter aulas de esgrima com Syrio Forel, Arya encontra seu lugar. Sim, ela está na capital e sua irmã ainda está por perto, mas agora ela pode fazer quase tudo que sempre quis. Arya pode correr atrás de gatos, pode aprender a usar sua Agulha e tem um dos melhores professores, tanto que suas lições ficam com ela durante todos os livros da série. Em Porto Real, Arya era feliz sim.
O que, é claro, acabou assim que seu pai foi assassinado.
[FIM DOS SPOILERS]
O que temos do segundo livro em diante é uma espécie de amadurecimento cada vez mais drástico para Arya Stark, que até deixa de se chamar assim em várias ocasiões. Arya é forçada a esconder que é nobre, que é uma garota e até a si mesma. Acredito que diante do tanto de coisa que acaba lhe acontecendo desde que ela deixa Porto Real, as duas únicas alternativas que restavam era ou desistir completamente ou lutar com unhas e dentes por sua sobrevivência. Obviamente, Arya escolhe a segunda opção.
E é aí que meu problema com ela começa.
Veja bem, Arya estava em uma situação desesperadora e ela tem no máximo dez anos no livro. Ela é só uma criança tentando não agir como uma para poder sobreviver, e isso eu compreendo bem e, óbvio, simpatizo com a situação. Mas Arya começa a agir como se não precisasse de ninguém e fosse melhor do que todos com que ela encontra, o que pode sim ser algum mecanismo de defesa e de autopreservação, mas que não deixa de ser uma mentira absurda. Para escapar de Porto Real, ela teve ajuda de Yoren, e continuou com ele por muitas e muitas milhas. Depois, teve Gendry e Torta Quente, Jaqen H’ghar, Lorde Beric e seus seguidores, Cão de Caça e por fim o homem do templo. Ela confiava neles? Em alguns, óbvio que não, em outros talvez.
Mas ela não estava sozinha. Arya teve ajuda o tempo todo, mesmo que vários de seus companheiros só estivessem com ela para alcançar seus próprios objetivos. E ainda assim ela age como se tudo e todos fossem feitos apenas para servi-la e quando essas coisa/pessoas não a servem, o máximo que ela pensa é “eu não precisava disso mesmo” quando é óbvio que ela precisava sim. É como se Arya estivesse tentando dar uma de durona, mas continuasse a agir como uma garotinha o tempo inteiro.
Não me entenda errado, eu respeito muito a Arya pelo que ela passou, o que não foi moleza nenhuma, nem de longe. Mas sua personalidade se torna tão convencida e furiosa que não consigo mais simpatizar com ela como simpatizava no livro um. Ela tinha que mudar? Claro que sim. Para sobreviver, todo mundo nessa série tem que se adaptar às novas situações. Arya, porém, mudou de um jeito que não me agradou em nada. Aliás, boa parte dos seus capítulos me pareceram uma enrolação horrorosa para mantê-la ocupada enquanto o que quer que Martin tenha planejado para ela ainda não esteja na hora de acontecer. Talvez alguma coisa tenha se perdido no meio do caminho, não sei. O fato é que Arya Stark não me convence mais.
Não faço ideia do que vai acontecer com ela nos próximos livros e, sinceramente, mal consigo me importar também. Só espero que ela faça algo digno antes do final. Isso é tudo, basicamente. Sei que Arya é muito esperta, e pra mim ela ainda vai resgatar Agulha para fazer algo importante.
Bem, é isso. Espero que tenham gostado (e se discordam, nada de pedras, por favor, embora um debate seja bem vindo). Qualquer coisa é só me contatar pelos comentários/ask do Tumblr.
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