Primeira edição do Diário de Bordo, leia somente se estiver afim de ouvir reclamações, reclamações e… bem, mais reclamações.
Ultimamente venho me perguntando se realmente vale a pena tentar publicar meu tormento, mais conhecido como O Olho da Serpente (ODS). Seria mentira se eu dissesse que nunca quis/sonhei/rezei pra que um livro meu fosse sucesso de vendas e se tornasse um fenômeno, já que acredito que todo escritor que vise a publicação espera, mesmo que de modo meio culpado, que sua obra seja um sucesso estrondoso entre o público. Todo autor quer isso, não há como negar. Se torna, aliás, cada vez mais fácil ignorar a voz da razão na nossa mente dizendo, “cara, você está no Brasil. E mesmo que estivesse lá fora, olha o tanto de gente escrevendo um livro também!”.
Por muito tempo gostei de fingir que era só terminar o maldito livro que tudo estaria resolvido. Obviamente, as coisas não são tão fáceis assim. Quase pensei que seriam quando soube do lançamento de Fantasy - Casa da Palavra, já que meu livro é de fantasia, mas os autores de lá sempre são personalidades na internet, donos do podcasts e blogs, e bem, eu sou dona de um blog, mas um blog minúsculo que permanecerá minúsculo pra sempre, provavelmente. Até entendo a linha de raciocínio da editora (é bem mais seguro arriscar um autor nacional quando ele já é conhecido na internet, né), mas não posso deixar de me sentir jogada ao limbo mais uma vez. É nessas horas que rumino a ideia de ficar bilionária e criar uma editora que possa se sustentar sem precisar de “técnicas” assim, mas hohoho onde é a fila mais próxima pra ser bilionária que eu ainda não vi?
Enfim, nos últimos tempos venho com essa de terminar por terminar e não focar tanto no mercado editorial, já que provavelmente estou fadada ao fracasso. ODS vai ficar gigante. Tinha 390 páginas na versão que postei na SW e eu nem tinha terminado a primeira parte. A segunda (e última, graças a Deus) seria menor, óbvio, e planejo diminuir algumas coisas da primeira nessa nova versão, mas mesmo assim quem apostaria nesse tijolo de literatura fantástica nacional? Ninguém. Ha.
E quando esse tijolo seria bom o suficiente para isso? Nunca. Ho.
Há sempre a publicação independente, claro, e meu pai até já disse que banca, mas banca como e por quanto tempo? Não quero que meu livro que custou sangue, lágrimas e suor (!!!) vá parar no limbo de livros nacionais lançados com capas horrendas que não estiveram em uma livraria nunquinha na vida e são divulgados em blogs com layouts tensos. Se a alternativa for essa, prefiro continuar no anonimato pro resto da vida, e continuo feliz.
Mas é claro que toda essa discussão é meio inútil se eu não conseguir terminar o livro. E acredite, venho tentando há muito tempo.
Acho que comecei a ter ideias com a história que viria a originar ODS quando tinha uns 10/11 anos, mas na época eu pensava coisas do tipo “ah, essa ideia é mais séria, deixa pra quando eu for mais velha”. Mas aí na sexta série, com doze aninhos, eu descobri que minha colega escrevia e fiquei tão feliz que comecei a escrever também porque, Jesus outra escritora! Até que enfim!
A menina terminou o livro dela em alguns meses. Eu continuo aqui, cinco anos e meio depois, ainda no capítulo dois.
A vida às vezes é tão injusta. Ou talvez seja minha culpa mesmo, com essa paranoia de reescrever sempre, que até é meio justificada. A história evoluiu tanto nas reescritas que não posso deixar de me sentir um pouco menos culpada. Agora até que está parecendo algo razoável (milagres, milagres, milagres). A coisa é sentar a bunda na cadeira e escrever, já que morro de preguiça.
Massss tenho sete dias sem aula pela frente e adivinha o que farei?
Se eu não escrever vocês têm permissão para me arrastar pelos cabelos até o manicômio mais próximo. Obrigada.
Continuando, o grande bam! da minha vida como escritora veio nesses últimos meses, lá no Tumblr, graças a comunidade de escrita em língua inglesa que eu descobri por acaso. Há centenas de blogs estilo o AP ou o Eu s2 Escrever e similares em inglês por aqui, e eles discutem TUDO. Serviu para que eu reorganizasse algumas coisas na minha história também, como a personalidade da minha protagonista, a Linnea, e também o mundo onde ODS se passa. Tanto que até mudei os títulos dos livros. Antigamente era Lua Vermelha, Fogo e Gelo, Sol Negro e Fúria Sombra, agora é O Olho da Serpente, O Coração do Caos, Os Ossos do Mundo e A Canção do Silêncio, que as meninas da Alcateia acharam melhores, para meu alívio. Coincidentemente, hoje descobri um livro chamado Lua Vermelha sobre lobisomens e quase cuspi meu pulmão fora. Como se não bastasse a série/novela mexicana/argentina/sei lá sobre vampiros chamada Lua Vermelha também. Me sinto cada vez mais feliz por ter decidido trocar de nome.
Eu já me perdi na minha ~jornada de escritora~. Dizem que primeiro você faz o draft zero, a primeira versão, cujo único propósito é ser ruim e servir de base para algo menos pior, o draft dois, que também serve de propósito para algo menos pior e assim por diante. Eu já estou no draft seis, mas nunca terminei nenhum, então não sei se estou no zero ainda ou no seis, ou sei lá, as coisas não fazem mais sentido. Eu só quero terminar essa coisa logo, mas há sempre tantas coisas mal-feitas deixadas para trás que eu consigo sentir meu sangue virar leite em pó de tanto nervoso.
Eu disse isso da última vez, mas não irei reescrever mais nada até ter terminado o livro TODO. Todinho. Talvez eu revise quando terminar a primeira parte, mas só. Nada de reescrita. Jamais. Agora ODS tem tudo para dar certo. Até coloquei mais povs (antes a Linnea dominava tudo com seus povs em todos os caps). Ainda não sei bem quem vai ter pov na segunda parte, mas na primeira, por enquanto, só a Linnea, o Leori e Melantha possuem seus caps. Como os últimos dois saem de área na segunda versão, vou ter que arranjar alguém para tomar seus lugares ou a coisa fica sem lógica.
Suspiros.
Agora vou lá escrever. Me desejem sorte. Adeus.

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