Série: -
Autor/a: Raphael Draccon
Fantasy - Casa da Palavra
Skoob
Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Mas à noite os sonhos o amendrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho – ou pesadelo – é muito maior que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais. Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.
Quando vi esse livro na livraria, tive duas reações. A primeira foi adorar a capa e o título. A segunda foi soltar um suspiro meio tenso quando percebi que o livro era do Draccon.
Sei que isso vai soa meio “mean” e, sei lá, feio, mas tenho o primeiro volume de Dragões de Éter aqui na minha estante há milênios. Já tentei ler duas vezes, mas nunca consegui passar da página cem porque, meu Deus, capslock, e a fourth wall sendo quebrada o tempo todo, e exclamações, e onomatopeias e ew, não, não rola pra mim, por mais que a história pareça sim interessante. Então quando vi que Fios de Prata era do Draccon, fiquei meio desanimada. A ideia me pareceu excelente, mas meu sexto sentido apitando loucamente não me deixou comprar esse livro da primeira vez que o vi.
Lá pela vigésima vez, desisti e o comprei.
Foi a última vez em que não confiei em meu sexto sentido.
“Tu inspiraste Rowling, e foi nas terras de Morpheus que se moldou Hogwarts. Tu inspiraste Tolkien, e foi nas terras de Phantasos que se anexaram as extensões de Terra-Média. Tu inspiraste Lovecraft e em minhas terras se fixou Miskatonic. Então eu te pergunto com sinceridade, anjo: até onde vai tua vontade de ser coadjuvante em um mundo de formas e pensamentos?”
O livro começou bom. As descrições eram ótimas e a premissa também. Os diálogos me incomodaram desde o início, mas eu estava disposta perdoar isso (se você for ler literatura fantástica brasileira e não perdoar os diálogos está ferrado, porque juro que é a fraqueza de 90% dos escritores daqui). O problema começou na medida em que a história progredia. Os diálogos se tornavam mais e mais forçados, o romance entre Allejo e Ariana se mostrou sem graça e muito rápido para meu gosto (ah, eu não acredito em amor à primeira vista, me desculpem) e o pior, as descrições saíram de boas para um completo desastre.
Houve, não sei… Uma vontade grande demais de fazer o livro ser algo épico, o que resultou em um ar muito artificial e falso e em passagens piegas e dramáticas demais para qualquer um (juro que meus olhos foram parar na nuca de tanto que os revirei). Foi chato pra caramba ver uma ideia tão legal se tornar um livro tão fraco. Nem mesmo os personagens salvaram. Aliás, Allejo e Ariana me pareceram estereótipos sem profundidade alguma.
Nada deu certo pra mim nesse livro.
Mas as descrições foram a pior parte, sem dúvida. Eu nem o que diabos aconteceu com a escrita de Fios de Prata. Não sou muito fã do estilo do Draccon, mas sei reconhecer que ele escreve razoavelmente bem. Mas o que vi nesse livro me deixou sinceramente decepcionada.
Enrolei pra caramba com essa resenha porque sei que muita gente fica doída dizendo que é recalque, preconceito contra escritor brasileiro e blá blá blá (eu sendo tentativa de escritora então só piora o quadro), mas gosto muito de três escritores de fantasia nascidos aqui, então nem é esse o caso.
O fato é: depois de Fios de Prata, desisti oficialmente dos livros do Draccon. Valorizo minha carteira e minha sanidade, obrigada. Esse livro foi purple prose pura.
Enfim, uma asinha pra Fios de Prata.

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