Série: Saga do Assassino
Autor/a: Robin Hobb
Editora Leya
Skoob
O jovem Fitz é o filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e foi criado pelo cocheiro de seu pai, à sombra da corte real. Ele é tratado como um penetra por todos na realeza, com exceção do Rei Sagaz, que faz com que ele seja secretamente treinado na arte do assassinato. Porque nas veias de Fitz corre a mágica do Talento – e o conhecimento obscuro de um garoto criado em um estábulo, entre cães, e rejeitado por sua família. Quando assaltantes bárbaros invadem a costa, Fitz está se tornando um homem. Logo ele enfrentará sua primeira missão, perigosa e que despedaçará sua alma. E embora alguns o vejam como uma ameaça ao trono, ele pode ser a chave para a sobrevivência do reino.
A capa desse livro me manteve longe dele por muito tempo. Sei que não se deve julgar um livro pela capa, mas foi isso que fiz sem um pingo de peso na consciência Acho que estava um pouco farta de histórias sobre órfãos que se tornam assassinos, magos, arqueiros, etc, mas no final do ano passado fiquei sem ter o que comprar e me indicaram Aprendiz de Assassino. Como não tinha ideia melhor, comprei.
Demorei um milênio para terminá-lo. Não porque é chato ou coisa do tipo, mas sim por seu ritmo, que é bastante lento. Me lembrou aquelas fantasias mais antigas (e, como descobri depois, Aprendiz de Assassino não é exatamente novo. Não pode ser considerado velho mesmo, já que é de 1995, mas foge das tendências de hoje em dia), em que não há necessidade de fisgar o leitor nas primeiras páginas e nem existe a preocupação de mandar o herói em sua “jornada” o mais rápido possível. Levei um tempo para me acostumar (acho que o último livro com um ritmo parecido que li foi O Nome do Vento, e isso foi há dois anos), mas nem mesmo esse período foi ruim. A escrita da autora, Robin Hobb, é excelente, e a narrativa de Fitz, o protagonista, é bem… não sei, intensa? Não é essa exatamente a palavra, mas Aprendiz de Assassino é aquele tipo de livro que faz com que você se conecte de verdade e esqueça do resto do mundo. Pode ser algo lento, mas é cativante.
(Se você está esperando um livro hollywoodiano da vida, é melhor procurar outra coisa. Falo sério).
Os personagens também são muito bons. Fazia um bom tempo que eu não lia algo com personagens tão diferentes e bem construídos. Depois do último livro que li (cof O Trono de Vidro cof), confesso que estava com o ânimo meio baixo para personagens, mas Aprendiz de Assassino conseguiu me tirar desse estado rapidinho. Até os que quase não aparecem se assemelham a pessoas de verdade e não a um monte de adjetivos jogados juntos para mimicar um ser real. Meu preferido foi Veracidade, mas o próprio Fitz, Breu, Sagaz e Bronco também são excelentes.
"É uma coisa inebriante ser subitamente proclamado o centro do mundo de alguém, mesmo que esse alguém seja um cãozinho de oito semanas de vida. Isso me fez perceber o quão profundamente sozinho eu me sentia, e há quanto tempo."
Sendo um livro contado em primeira pessoa pelo próprio protagonista, Aprendiz de Assassino me tinha com um pé atrás logo na primeira página. Tenho cisma com primeira pessoa, confesso, já que os piores livros da minha vida geralmente são escritos desse jeito. Em fantasia esse carma geralmente não acontece - O Nome do Vento é em primeira pessoa na maior parte do livro, e eu o adoro -, mas mesmo assim fiquei meio hesitante. Meus temores se mostraram, felizmente, infundados; é um Fitz mais velho que narra suas aventuras, sempre inserindo algo que julga necessário que o leitor saiba no início dos capítulos, o que facilita muita coisa.
Há muito mais a ser dito sobre esse livro. Há o Talento, uma arte milenar que se centraliza na família real e permite ao usuário se comunicar com outras pessoas e até influenciar suas ações; há a Manha, uma conexão entre uma pessoa e um animal, mal vista por várias pessoas da sociedade; há os nomes, que sempre indicam algo sobre seu portador (ou o que seus pais queriam que ele fosse e sim, estou falando de Majestoso), e os Navios Vermelhos, que atormentam os Seis Ducados e Forjam seus habitantes, tirando-lhes a humanidade… Enfim, há muita coisa, e todas valem a pena.
"Cresci sem pai nem mãe, numa corte onde todos me conheciam como um divisor de águas. E um divisor de águas me tornei."
Indico muito para quem gosta de uma aventura mais encorpada, lenta e, às vezes, complexa, que tenha bons personagens e um excelente final. Cinco asinhas para Aprendiz de Assassino.

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